Campos Elíseos

Cartografias

Mapeamentos coletivos e cartografias sociais para a construção da proposta

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Um dos objetivos do Fórum Aberto é estabelecer um processo coletivo de planejamento insurgente, termo cunhado pela pesquisadora Faranak Miraftab para se contrapor à práticas tradicionais de planejamento urbano. Resumidamente, a perspectiva insurgente defende transformações radicais na mediação e participação no processo de planejamento: a mediação passa para uma linguagem próxima a população, saindo do domínio técnico; e a participação é ampliada, além do diálogo, para as práticas sociais e ações insurgentes já em curso no território.

Já foram realizadas uma série de experiências cartográficas com os moradores, pessoas que circulam pelo território, ativistas e pesquisadores. Nessas experiências foi possível construir mapas afetivos, linhas do tempo, mapas mentais e painéis colaborativos. O processo participativo e os resultados visuais trouxeram a tona elementos importantes para compreensão da complexidade existente e para a construção das propostas alternativas. Dentre as questões levantadas destacam-se:

a) A evidente percepção de que esse é um território ocupado, onde existe vida. Sem negar a necessidade de transformações e melhorias, compreende-se a necessidade de que qualquer mudança seja pensada a partir da perspectiva daqueles que ali vivem, moram e circulam.

b) O descontentamento com os espaços de participação institucional, tais como os conselhos gestores, que embora tenham sua importância não são suficientes para traduzir as demandas sociais em políticas públicas – inclusive contamos com a participação de alguns membros do Conselho Gestor das quadras 37 e 38. Uma das contribuições defende a “ampliação de canais de participação com a população moradora do centro como obrigatoriedade para implementação das políticas na região”, outra sugere “cartografias, rádios, lambes, aulas públicas para ampliar o diálogo entre os moradores e a cidade”.

c) O histórico de ação do poder público no processo de “revitalização”, que fica evidente quando analisamos a linha do tempo. Ao longo das últimas décadas, as intervenções empregadas para alterar o território foram, majoritariamente: demolições e lacramento de imóveis, operações policiais, projetos urbanísticos e a construção de equipamentos culturais âncora.

d) A relação direta entre as intervenções do poder público (principalmente nas esferas municipal e estadual), do mercado imobiliário e grandes empresas de outros setores no processo de revitalização. Visível, por exemplo, nas recentes parcerias público-privadas (Casa Paulista) e nos investimentos e intervenções realizadas pela Porto Seguro, entre eles o “Fórum Revitalização do Centro”, evento realizado em parceria com o jornal Folha de São Paulo no SESC 24 de maio. Durante o processo surgiram várias críticas ao favorecimento de grandes construtoras e a exigência de clareza na linguagem dos projetos urbanos e políticas públicas.

Cartografias das violências, remoções e violações nos territórios da Luz e Campos Elíseos

A presente cartografia ilustra as sistemáticas violências, violações e remoções no território que corresponde a fronteira entre Luz e Campos Elíseos. Além do mapa organizamos uma linha do tempo que inicia em 2005, período em que foi lançado o projeto Nova Luz e quando essa sistemática fica evidente. Verifica-se que a partir de 2017 existe uma intensificação no número de ocorrências registradas, acompanhada pela fragmentação do fluxo da cracolândia. A partir dessa leitura histórico espacial é possível constatar a relação entre as ocorrências mapeadas e os projetos de intervenção urbana; e o fracasso das atuais estratégias, pautadas pela violência institucional e militarização, na resolução dos problemas existentes.

Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação, solicitados pelo portal de notícia Ponte Jornalismo, mostram que no período que compreende maio e dezembro de 2017 foram realizadas ao menos 29 operações com utilização de bombas de gás e de efeito moral. Os dados reforçam o atual clima de guerra existente na região, que prejudica os sujeitos que ali habitam, trabalham e circulam. Ao mesmo tempo essas ações dificultam o trabalho dos profissionais de saúde e assistência social. Internacionalmente já se reconhece que a violência e a repressão não resolvem problemas sociais como os que estão presentes nesse território, pelo contrário, as operações policiais violentas intensificam os conflitos e fragilizam o tecido social.

Frente a essa realidade propomos uma alternativa que compreende a complexidade existentes, com soluções humanas que melhorem significativamente as condições do território, tanto no ponto de vista dos moradores das pensões, dos comerciantes e pessoas em situação de rua. É nessa perspectiva que está inserido a proposta “Campos Elíseos Vivo”

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