Remoções sistemáticas no centro de São Paulo prejudicam a cidade inteira

thumb_IMG_1182_1024
Intervenção artística durante lançamento do projeto Campos Elíseos Vivo, com PPP Habitacional ao fundo (Foto: Victoria Braga)

Há um projeto de “requalificação” do centro de São Paulo em curso, que ameaça a permanência das classes populares nessa região da cidade. Governo do Estado e prefeitura têm realizado uma série de intervenções nesse território, normalmente associados ao setor privado, com sistemáticas remoções de famílias, sem que lhes seja ofertada qualquer proposta de atendimento habitacional definitivo na região. O caso do bairro Campos Elíseos evidencia bem esse cenário de transformação, em que as leis são ignoradas, o mercado imobiliário é beneficiado e a população local é excluída.

Entenda: Por que as intervenções do poder público em Campos Elíseos são ilegais?

Os projetos têm ocorrido na esfera da ilegalidade, uma vez que boa parte do bairro é demarcada como Zona Especial de Interesse Social (ZEIS), e o judiciário tem participado ativamente dessas violações, dando carta branca para que o poder público execute remoções, demolições e intervenções sem que os moradores da região sejam consultados, como determina a lei nicipal.

A quadra 36 é emblemática em termos de violações. No terreno, o governo do Estado pretende iniciar uma Parceria Público-Privada (PPP) para construir o novo hospital Pérola Byington, um projeto não foi discutido com os moradores e não atende às necessidades prioritárias da área. As famílias começaram a ser removidas no dia 16 de abril de 2018, antes mesmo da posse do Conselho Gestor, que foi eleito às pressas dois dias antes, por pressão da sociedade civil organizada, especialmente no âmbito do Fórum Aberto Mundaréu da Luz. Para os moradores que deixaram suas casas às pressas, e ilegalmente, a única alternativa proposta pelo poder público foi o pagamento de auxílio-moradia no valor de R$ 400, que impossibilita as famílias de continuarem onde estão, pelo alto valor do aluguel no bairro.

Nas quadras 37 e 38, que também ficam em Campos Elíseos, a situação não é muito diferente. No local, a prefeitura pretende construir torres residenciais, num projeto de PPP Habitacional, que não inclui os atuais moradores do bairro. Após ação policial violenta contra a dita “Cracolândia” em maio de 2017, a prefeitura demoliu prédios nas quadras, inclusive com moradores dentro, forçando a mudança de algumas pessoas que há anos vivem na região. As violações ocorreram, e a pressão popular e dos movimentos sociais exigiu que um Conselho Gestor para as quadras fosse formado, o que garante que as discussões sobre os projetos de intervenção para a área aconteçam dentro da esfera democrática.

Na mesma época da ação policial, há um ano, tiveram início as obras da PPP Habitacional do governo do Estado, no terreno onde ficava a antiga rodoviária do bairro e que, há dez anos estava vazio. Antes, previa-se a construção de uma escola de dança no lugar, mas o governo preferiu mudar os planos e construir torres residenciais no local, em associação com a empresa Canopus. Nenhum dos atuais moradores do bairro foram contemplados com apartamentos no novo empreendimento, por não atenderem aos critérios necessários para o financiamento.

Esse desmonte da ZEIS pelo poder público vem frequentemente associado a um discurso por “requalificação” e “revitalização” da área. As intervenções, feitas de forma atropelada, sem seguir os ritos legais e sem oferecer qualquer alternativa definitiva para os moradores, evidenciam uma tentativa do poder público de “limpar” a área, excluindo a população que vive no local.

Nesse processo, as remoções sistemáticas têm cobrado um preço alto: a criação de novas ocupações e assentamentos precários, além de um aumento da população de rua, com uma parcela considerável da população expulsa de suas casas vivendo em condição de ainda maior vulnerabilidade. Por que não incluir este contingente populacional nas políticas urbanas e habitacionais?

(Por Camila Almeida, jornalista e pesquisadora do LabCidade/FAUUSP)

Por que as intervenções do poder público em Campos Elíseos são ilegais?

Entenda o que diz o Plano Diretor sobre as Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS), tipo de território popular protegido por lei. Várias quadras do bairro Campos Elíseos, no centro de São Paulo, são demarcadas como ZEIS.

quadra 36
Governo do Estado e Prefeitura têm realizado intervenções sistemáticas em Campos Elíseos, no centro de São Paulo, sem o devido rito legal previsto para as ZEIS (Fórum Aberto Mundaréu da Luz/Google Maps)

As Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) são porções populares do território urbano, protegidas pelo Plano Diretor do município de São Paulo (lei nº 16.050/2014) e previstas no Estatuto da Cidade, lei federal que rege a política urbana no país (nº 10.257/2001). As ZEIS precisam ser destinadas, predominantemente, à moradia digna para a população de baixa renda.

Essa moradia de qualidade, conforme consta no artigo 44 do Plano Diretor, deve ser promovida por intermédio de melhorias urbanísticas, recuperação ambiental e regularização de assentamentos precários e irregulares, bem como a provisão de novas habitações, a serem dotadas de equipamentos sociais, infraestrutura, áreas verdes, comércios e serviços sociais.

As áreas definidas como ZEIS devem possuir um Conselho Gestor, composto por moradores, comerciantes, movimentos de moradia, ONGs, universidades e representantes do poder público, para deliberar sobre qualquer proposta para a área (art. 48). O conselho deve participar da formulação, aprovação e implementação dos Planos de Urbanização ou projetos de intervenção. A lei é clara ao afirmar que a instalação do Conselho Gestor deve preceder a elaboração do plano de urbanização, que por ele deve ser aprovado.

Já as ZEIS 3 (como é o caso das quadras de Campos Elíseos) são as áreas com ocorrência de imóveis ociosos, subutilizados, não utilizados, encortiçados ou deteriorados em regiões dotadas de serviços, equipamentos e infraestrutura. Para elas, existe uma série de regras que devem ser seguidas ao se propor um projeto de intervenção, conforme consta no artigo 52:

  • Análise sobre o contexto da área
  • Cadastramento dos moradores
  • Diretrizes, índices e parâmetros urbanísticos para o parcelamento, uso e ocupação do solo e instalação de infraestrutura urbana, áreas verdes, equipamentos e outros usos;
  • Critérios, procedimentos, condições e limites para o remembramento e parcelamento dos lotes;
  • Dimensionamento físico e financeiro das intervenções propostas;
  • Formas de participação dos beneficiários;
  • Estimativas de custos e fontes de recursos;    
  • Plano de ação social e pós-ocupação;
  • Soluções para a regularização fundiária;
  • Soluções e instrumentos para viabilizar a geração de emprego e renda.

A lei deixa claro que as intervenções em áreas de ZEIS precisam não só incluir e melhorar a vida da população que a habita, mas contar com sua participação efetiva em todas as etapas do processo. Essas determinações não têm sido cumpridas pelo poder público e nem consideradas pelo poder judiciário, que tem permitido todas intervenções ilegais no bairro.

Nota contra a criminalização das famílias que ocupavam edifício no Largo do Paissandu

largo do paissandu
Edifício no Largo do Paissandu, 95, que desmoronou após incêndio na madrugada do dia 1º de maio de 2018 (Foto: Google Street View)

ENQUANTO MORAR FOR PRIVILÉGIO, OCUPAR É UM DIREITO: #QUEMOCUPANÃOTEMCULPA

Na madrugada do dia 01 de maio de 2018, em São Paulo, uma tragédia aconteceu na ocupação do Largo Paissandu. As entidades e movimentos sociais que atuam na defesa do direito à moradia vêm manifestar solidariedade às famílias que estavam no imóvel. É inadmissível que este momento de tristeza e dor seja manipulado pelos verdadeiros responsáveis por tais situações para criminalizar os movimentos e os trabalhadores de baixa renda, que não têm alternativa senão viver nas ocupações.

As famílias que vivem em ocupações são vítimas do descaso, da irresponsabilidade do Estado e da especulação imobiliária – que impõem alto custo de habitação, sobretudo nas áreas centrais. Não é a primeira e não será a última tragédia, enquanto o investimento público para o enfrentamento do problema habitacional não for significativo e comprometido com o acesso à moradia como um direito.

Enquanto a população de baixa renda é penalizada, os latifúndios urbanos concentram dívidas milionárias e descumprem reiteradamente a Constituição Federal. A Prefeitura desrespeita o Plano Diretor, uma vez que há mais de um ano deixou de notificar os proprietários de imóveis que não cumprem a função social da propriedade, o Governo Federal corta o Programa Minha Casa Minha Vida para os mais pobres e o Governo do Estado tem apostado suas ações na implantação das Parcerias Público-Privadas, que não atendem os mais pobres e enriquecem as empreiteiras e donos de imóveis. Ainda, o Poder Judiciário – que goza de um imoral auxílio moradia – ignora o descumprimento da lei pelos proprietários e se posiciona, via de regra, pelo despejo e remoção de milhares de famílias, agravando a desigualdade social. Existem inúmeros imóveis públicos em plenas condições de reforma para uso habitacional.

As ocupações são a resposta das famílias organizadas frente a essa situação. Os atuais Governos, ao acusar os movimentos, demonstram uma atitude covarde por parte daqueles que são os principais responsáveis por essa crise e, em aliança com o mercado, pelo aprofundamento da tragédia urbana.

Por fim, reiteramos unidade na resistência de cada ocupação e exigimos: a responsabilização do Estado em cada recusa à regularização de energia elétrica, saneamento e prevenção de riscos em ocupações; o investimento público na viabilização de moradias dignas; o enfrentamento à especulação imobilária; políticas de mediação de conflitos fundiários com participação popular; a conversão dos edifícios ociosos em moradia popular; e a regularização fundiária de ocupações.

Quantos prédios ainda irão cair até que sociedade e governos entendam que a moradia é um direito de todos e um dever do Estado? Permaneceremos mobilizados.

São Paulo, 1 de maio de 2018

Central de Movimentos Populares
Frente de Luta por Moradia
União dos Movimentos de Moradia
Movimento dos Trabalhadores Sem Teto
Movimento Moradia para Todos
Frente Brasil Popular
Frente Povo Sem Medo
Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos
Peabiru TCA
Usina Ctah
LabJuta UFABC
Coletivo de ocupações, favelas e cortiços da cidade de São Paulo
Observatório de Remoções
Observa SP
LabCidade FAU USP
LabHab FAU USP
Fórum Aberto Mundaréu da Luz
Sindicato dos Arquitetos de São Paulo
Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico
Instituto Pólis
Rede Mulher e Habitat
Secretaria Latino Americana de Vivienda y Habitat Popular
Coalizão Internacional do Habitat
Movimento dos Trabalhadores Sem Terra Leste 1
Movimento de Moradia da Regiao Sudeste
Movimento dos Trabalhadores Sem Terra da Zona Oeste
Unificação das Lutas de Cortiços e Moradia
Movimento em Defesa do Favelado da Região Belem
Movimento de Defesa dos Favelados – Santo André
Associação dos Sem Teto Taboao Diadema
Associação Independente da Vila Nova Esperança
Associação de Moradores da Sólon
Movimento de Moradia City Jaraguá
Movimento de Moradia na Luta por Justiça
Associação Nossa Luta Nossa Terra Diadema
Central Pró Moradia Suzanense
Movimento Independente de Luta Por Habitação de Vila Maria – Ocupação Douglas Rodrigues
Associação de moradores Pantanal capela do socorro
Movimento Terra Livre

 

Projeto Campos Elíseos Vivo é apresentado na Subcomissão da Câmara de São Paulo

Por Emanuel Belmiro
Redação CMSP

A forma de abordagem aos usuários de drogas da região da Cracolândia e a situação dos moradores  que convivem com este problema, na região do bairro Campos Elíseos, voltou a ser discutida nesta quinta-feira (26/4) na reunião da Subcomissão sobre Política de Drogas, cuja pauta foi a “Exposição e Invisibilidade – Territorialidades das “Cracolândias” na cidade de São Paulo.

Na primeira parte da reunião o tema abordado foi: “É possível uma Política Urbana Contra a Exclusão”, cujos palestrantes foram especialistas da USP (Universidade de São Paulo) e representantes do Fórum Aberto Mundaréu da Luz. Já na segunda parte do encontro, foi exibido um slide apresentando o Projeto Campos Elíseos Vivo. Felipe Vilela, pesquisador do Observatório de Remoções, é um dos integrantes do Fórum Aberto Mundaréu da Luz e explicou sobre o Campos Elíseos Vivo.

“Este é um Projeto alternativo a proposta da Prefeitura e do Governo do Estado. Ele não parte da ideia de que deva haver uma série de demolições e expulsão de pessoas para melhorar aquela área. Dialogando com os moradores, e conhecendo melhor suas necessidades, nos elencamos algumas ações que poderiam ser desenvolvidas naquela região, melhorando consideravelmente a qualidade de vida dos usuários de drogas, mas principalmente da comunidade que vive ali”, disse o pesquisador.

A presidente da Subcomissão de sobre Política de Drogas, vereadora Patrícia Bezerra (PSDB), já conhecia o trabalho do Fórum Aberto Mundaréu da Luz e defende o Projeto Campos Elíseos Vivo e se comprometeu, em nome da Subcomissão, em articular junto ao Executivo Municipal a implantação deste Projeto.

“O Projeto Campos Elíseos Vivo é sensacional. Baseado num estudo sério, onde foram feitos levantamentos e pesquisas com dados reais e concretos. Tem jeito, dá pra fazer e temos proposta para levar aquelas pessoas a dignidade que elas merecem. Agora dialogar com o Executivo e discutir esta demanda”, disse a parlamentar.

A Presidente do Comuda (Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas e Álcool de São Paulo) Nathalia Oliveira, que também integra o Fórum Aberto Mundaréu da Luz, fez um balanço bastante positivo da reunião desta quinta-feira na Subcomissão. Ela acredita que o debate avançou e que,  juntamente com a representatividade dos parlamentares da Câmara, o Executivo possa começar a discutir o Projeto Campos Elíseos Vivo.

“Fomos muito bem recebidos aqui na Câmara pela Subcomissão sobre Política de Drogas. E acredito que o engajamento dos vereadores é fundamental para que possamos ser ouvidos pelo Executivo”, disse.

40 anos de história removidos

Porfírio Valente, 90 anos, é proprietário de um edifício de três andares localizado na Alameda Glete, 233. Ele veio de Portugal para o Brasil aos 22 anos, e há mais de 50 vive em Campos Elíseos. Este imóvel ele adquiriu há cerca de 40 anos, e é onde ele vive com a família. Até agora, Porfírio não recebeu a indenização, e vai deixar o prédio sem saber quando terá acesso ao dinheiro. Porfírio lembra que, quando o Estado desapropriou o terreno onde ficava a antiga rodoviária do bairro, em 2007, se passaram 10 anos para que as obras da PPP Habitacional fossem iniciadas no local.

30725306_212212092703820_6389391880097890304_o

ENTENDA A REMOÇÃO NA CRACOLÂNDIA:

A remoção de parte das famílias que hoje vivem e trabalham na quadra 36 foi confirmada na última sexta-feira, 13, o que confere aos moradores um prazo de apenas um final de semana para conseguir um lugar para ir. Além disso, boa parte dos moradores ainda não receberam a bolsa aluguel, e correm o risco de deixar suas casas sem qualquer assistência financeira imediata.

As divergências entre os pareceres da Justiça, que ora suspenderam as remoções, ora permitiram, também geraram alto nível de estresse entre as famílias, que permaneceram em estado de completa indefinição e tiveram sua assistência pelos órgãos competentes dificultada.

É grave o fato de o poder executivo (tanto o governo do Estado quanto a prefeitura) e o poder judiciário terem passado por cima do Plano Diretor Estratégico do Município de São Paulo (lei nº 16.050/2014, art. 52), onde constam todas as providências legais a serem adotadas no caso de intervenção em Zonas Especiais de Interesse Social do tipo 3 (ZEIS 3), que é o caso da quadra 36 em questão.

Globo, jornais e outras mídias falam sobre a remoção

A TV Globo, o jornal Folha de S. Paulo e a Agência Brasil estiveram na região dos Campos Elíseos para registrar a remoção das famílias na segunda-feira (16).

A Rede Globo produziu reportagem sobre a retirada das famílias. O vídeo pode ser visto neste link.

Folha de S. Paulo:
Região da cracolândia tem remoção de famílias para construção de hospital.

A EBC publicou a reportagem abaixo:
Famílias desocupam prédio na Cracolândia, em São Paulo, após decisão da Justiça

Famílias que ocupavam um casarão na rua Glete, na região da Cracolândia, no centro da capital paulista, deixaram na manhã de hoje (15) o local. O prédio e imóveis vizinhos estão na chamada quadra 36, onde o governo do estado pretende construir o futuro edifício do hospital Pérola Byington.

Apesar de a juíza Alexandra Fuchs, da Central de Mandados, ter determinado a suspensão de todas as remoções da quadra 36 com base em pedido do Ministério Público, o governo do estado recorreu ao Tribunal de Justiça e conseguiu manter a ordem de despejo das famílias marcada para a manhã desta segunda-feira (16).

Na manhã deste domingo, caminhões de mudança e vans da Construcap, empreiteira que irá construir o novo prédio do hospital, estavam no local para transportar as dezenas de famílias que viviam nos imóveis. Elas foram desalojadas mediante o pagamento de três meses de auxílio-moradia (R$ 1,2 mil). Elas continuarão recebendo mensalmente R$ 400 até a entrega de um imóvel definitivo.

Segundo a prefeitura, 163 famílias que viviam no local foram cadastradas no sistema de habitação da cidade. No início da tarde, ao menos duas famílias ainda não haviam saído dos imóveis. Nos locais deixados pelas famílias, operários ergueram paredes de alvenaria para impedir o retorno da ocupação.

 

Outros veículos também noticiaram. Alguns links:

Estadão_Justiça cumpre reintegração de posse em imóveis na Cracolândia

TV Brasil_Famílias desocupam imóveis na Cracolândia, em São Paulo

G1_Reintegração de posse na Cracolândia retira comerciante que morava havia 60 anos no bairro

SPTV1_Últimas famílias e comerciantes deixam imóveis na região da Cracolândia

R7_Moradores da Cracolândia ficam sem lar após projeto de hospital

CBN_Desocupação de área da Cracolândia de SP deve ser concluída nesta segunda

TV Gazeta_Quarteirão da Cracolândia abrigará hospital

Destak_Polícia Militar cumpre reintegração de posse na Cracolândia

G1_Justiça cumpre ação de reintegração de posse em quadra da Cracolândia

CBN_Reintegração de área da cracolândia de São Paulo não deve ser concluída hoje

IstoÉ/Estadão Conteúdo_Em SP, Justiça cumpre reintegração de posse em imóveis na Cracolândia

EXAME/Estadão Conteúdo_Após decisão judicial, famílias desocupam prédio na Cracolândia

Agência Brasil_Famílias desocupam prédio na Cracolândia após decisão da Justiça

Folha de S. Paulo_Região da cracolândia tem remoção de famílias para construção de hospital

SPTV2_Mais de 100 famílias desocupam casas e prédios na Cracolândia

Rede Brasil Atual_Justiça autoriza despejo de moradores da região da Cracolândia

Operação remove comércio histórico do bairro

Na foto, a kombi do Sr. Fernando levando mais de 30 anos de história de um comércio familiar e de vida estabelecidos na rua Barão de Piracicaba, na região conhecida como Cracolândia. Os pertences dele e da família estão sendo divididos em vários endereços diferentes, nas casas de amigos e parentes no interior. A irmã segue sedada ainda no imóvel, em choque com tudo o que está acontecendo. Como ele é proprietário, a indenização foi depositada no processo de desapropriação, mas eles precisam acionar advogados para conseguir resgatar o dinheiro, o que demora. Enquanto isso, vemos a veloz arbitrariedade do governo do Estado em ano de eleição, que leva a cabo um projeto construído pra região sem participação da população atingida.

Desde o começo, o projeto do governo para a região da Luz tem sido feito com diversas irregularidades. O governo se nega a considerar a diversidade e realidade dos moradores deste pedaço de São Paulo. Ignora também o plano urbano elaborado pelo Fórum Aberto Mundaréu da Luz junto aos moradores, que parte da necessidade das famílias que já ocupam esse bairro há anos.

Sr. Fernando e a irmã não têm para onde ir amanhã, mas seguem preocupados em pagar todas as contas e dar baixa no funcionamento do comércio. Ao fundo da foto, as torres da PPP de Habitação, inacessíveis para os moradores como Fernando, despejados da quadra 36, uma das que estão sendo esvaziadas pelo governo paulista.

Membros do Fórum Aberto Mundaréu da Luz estiveram presentes neste domingo pra dar assistência aos moradores. Enquanto informavam os moradores, junto a representantes do Ministério Público do Estado, sobre o fato de não precisar sair imediatamente — pelo estabelecido judicialmente, as remoções deveriam ocorrer na segunda-feira a partir das 5h — representantes da CDHU pressionavam os moradores, em total flagrante de ilegalidade e violência psicológica. Talvez na intenção de mostrar para as câmeras o falso “vazio” deste lugar no momento oficial da remoção, ao amanhecer.

Dezenas de famílias e comerciantes que vivem e trabalham nestas quadras continuam na insegurança e vítimas de um governo que age com aparente eficiência, mas que continuamente tem violado as leis e ignorado a real necessidade de um atendimento habitacional digno a essas famílias.